Diário de Bordo


Falsos Modernos

Formada em 2012, a Falsos Modernos surgiu em Salvador com vontade de resgatar o bom e velho rock n’ roll, aquele dos Beatles, mas inspirado também pelos musos Roberto e Erasmo Carlos. A pegada rocker jovem guarda se mistura a influências dos Smiths, Strokes e Jon Spencer Blues Explosion, e resulta em um trabalho autoral que levanta uma única bandeira – a da diversão.

A banda é formada por Boni (vocal e guitarra), Bruno Carvalho (guitarra e vocais), Leo Abreu (bateria) e Dudare (baixo) e, em 2013, o grupo lançou seu primeiro álbum, o “Perfil de Cena”, que traz o rock n’roll brasileiro e uma espécie de jovem guarda repaginada, com arranjos despretenciosos e letras arrojadas.

Aqui, no Diário de Bordo da Falsos Modernos, será possível acompanhar o processo de produção do videoclipe “Balada Sem Lei”, gravado no dia 12 de abril de 2014.

O Processo
Encontro com a banda
Roteiro
Locação
Personagens
Arte e Figurino
Maquiagem e Cabelo
Fotografia
Produção
Edição e Montagem
Ficha Técnica
Clipe Final

Clipe Final - Falsos Modernos

Falsos Modernos – Balada Sem Lei (Clipe Oficial)

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Encontro com a banda

Marcamos uma reunião com a equipe técnica e membros da banda para descobrir quais eram as principais referências, conceitos e interesses do grupo. A Falsos Modernos, até então, tinha apenas um videoclipe oficial, que foi gravado dentro de um estúdio. Naquele momento, a vontade da banda era de ter um clipe que tivesse um roteiro, com personagens e cenário elaborados e, principalmente, que fosse divertido – tanto para eles, quanto para quem assistisse ao vídeo.

A maior dúvida, no entanto, era uma só: qual música? Das onze canções do disco Perfil de Cena, a indecisão estava entre as canções Lollipop e Balada Sem Lei. Foi escolhida, ao final, “Balada Sem Lei” por ser uma espécie de música-hino do grupo, além de ser uma canção curta, leve e divertida em sua própria essência.

 

 

 

Roteiro

Como a banda já tinha a vontade de fazer um clipe, o projeto veio na hora certa. Pegando um pouco o ar retrô da banda, que vem desde a ironia do título até o figurino em alguns shows, a idéia era recriar um programa de auditório de TV dos anos 60, colocar a banda para se apresentar e, a partir daí, pensar em situações pitorescas. As principais referências eram o clipe de Nancy Sinatra “These Boots are made for walking” e do Nirvana “In Bloom”. A ideia, contudo, foi evoluindo até tornar-se um show de calouros, com a participação especial de três jurados sui generis e um corpo de baile feminino.

Texto por Pedro Perazzo e Rodrigo Luna, diretores e roteiristas.

 

These Boots are made for walking:

 

In Bloom:

Locação

A busca por uma locação é sempre um quebra-cabeças no qual todas as peças devem se encaixar. Desse modo, é necessário observar todas as questões que devem ser articuladas conjuntamente: desde a disponibilidade do local de acordo com as datas possíveis para elenco e equipe técnica; até o fato da locação apresentar características que se adequem às necessidades do roteiro.

No caso do videoclipe da Falsos Modernos, a locação deveria ser ampla, para poder ter espaço para equipe técnica e elenco; ter disponibilidade nos finais de semana; apresentar uma estrutura em que pudessem ser colocados objetos de cena pendurados no teto; e, principalmente, já ter algum equipamento de iluminação. Desse modo, buscamos por teatros em Salvador que se adequassem a essas demandas e tentamos pauta em alguns como Teatro Molière (Aliança Francesa), Teatro Martim Gonçalves (Escola de Teatro da UFBA), Teatro Eva Herz (Livraria Cultura) e até auditórios de escolas, como o do Colégio Antônio Vieira.

No final, o espaço que mais se encaixava nas necessidades do videoclipe e tinha disponibilidade para a data e tempo de gravação que precisávamos (12 de abril, das 7h às 17h) foi o Teatro do Movimento, localizado na Escola de Dança da UFBA. Fechamos a pauta e fizemos uma visita técnica com as equipes de produção, direção, direção de arte e fotografia, para cada setor conhecer o espaço e ver as demandas específicas a partir dele.

Assim, a direção já pôde pensar melhor nos planos que faria; a direção de arte tirou medidas exatas do espaço e identificou como poderia colocar os objetos de cena pensados; e a direção de fotografia verificou quais equipamentos de iluminação havia no local e, a partir disso, checou as necessidades de compra ou aluguel de materiais complementares. No caso de produção, especificamente, foram observadas questões estruturais, como disponibilidade de estacionamento, banheiros e uma sala próxima ao set para colocar lanche, acomodar equipamentos e servir como camarim para o elenco. Outra questão importante era ter certeza de que o local era amplo o suficiente para que a equipe e elenco se acomodassem de forma confortável, viabilizando a gravação da melhor forma possível.

 

Personagens

Assim que o roteiro fica pronto, um dos primeiros passos é fazer uma relação de todos os personagens, como elenco principal, secundário e figuração. No caso do videoclipe “Balada Sem Lei”, existiam três núcleos: a banda, um trio de jurados e um grupo de dançarinas.

Em alguns casos, é possível que a banda ou algum integrante não goste de aparecer em filmagens. Para que a ideia pensada desse certo, era indispensável que o grupo aceitasse participar do videoclipe, afinal, o roteiro envolvia a apresentação da Falsos Modernos em um programa de auditório.

Após a aceitação do roteiro e confirmação da participação da banda, pensamos, junto com eles, em alguns personagens que pudessem compor o trio de jurados. A ideia, desde o princípio, era que o júri fosse composto por pessoas ou personagens pitorescos ou identificáveis pelo público em geral. Sendo assim, convidamos o Carlinhos, que é cantor da banda Irmão Carlos e o Catado; Jéssica Chritopherry, personagem criada pela atriz Paula Lice para o filme homônimo; e Capitão Cometo, personagem de Rodrigo Luna que é protagonista de um curta de ficção e cantor da banda Capitão Cometo e os Ladrões de Parafina na Terra do Nunca Extreme.

Por fim, precisávamos encontrar um pequeno grupo de meninas para compor o corpo de dançarinas do programa. As coreografias seriam bem simples, por isso, não era necessário que as dançarinas fossem profissionais. Porém, encontrar pessoas disponíveis durante uma diária de filmagem (que dura entre 8h e 12h de gravação) foi a parte mais complicada. A divulgação foi feita através de listas, grupos, escolas de dança e, principalmente, através de amigos. No fim, contamos com participação de Aretha Lima, Daniela Alcântara e Erica Andrade, que não são dançarinas profissionais, mas abraçaram a ideia e pensaram em uma coreografia inspirada em programas de auditório e no clipe de nancy Sinatra que passamos pra elas.

Making of por Renato C. Gaiarsa.

 

Arte e Figurino

O nome da música e da banda já dizia tudo, Falsos Modernos numa Balada Sem Lei. A banda já tinha um visual definido, com fortes referências na década de 60. Os diretores propuseram um programa de calouros com jurados um tanto exóticos, Capitão Cometo, Jéssica Cristopherry e Irmão Carlos. O conceito veio fácil, um programa de televisão futurista, com uma pitadinha de Jetsons e um punhadinho da Viagem à Lua de Meliès.

Misturando tudo veio uma proposta de cenário e figurino de contrastes fortes, nas cores misturando o vermelho e dourado, branco e preto e toques de cor pra não perder o humor, como nas formas as linhas retas, duras, geométricas se misturando às curvas, o cafona e o(s) falso(s) moderno(s).

Texto por Renata Soutomaior, diretora de arte e produtora de figurino.

Making of por Renato C. Gaiarsa.

 

Maquiagem e Cabelo

O clipe foi inspirado na moda anos 60.  A “Falsos Modernos” foi “Beatleficada” na medida do possível, respeitando as características de cada integrante. Figuras míticas como a super modelo Twiggy e o filme “Quem é você, Polly Magoo?” serviram de matéria prima para criação das maquiagens das dançarinas/assistentes de palco, tendo o olho como destaque principal, o que foi característica marcante do período, ao lado dos cabelos estruturados. Um universo a parte foram os jurados. Seres mais atemporais que atenderam ao chamado principal de sua personalidade, ganhando apenas toques de espetacularidade como a purpurina nos cabelos eriçados de Irmão Carlos.

Texto por Nayara Homem, maquiadora e cabeleireira.

Making of por Renato C. Gaiarsa

 

Fotografia

O diretor de fotografia é o responsável por pensar a iluminação da locação, assim como a movimentação de câmera e enquadramentos – estes últimos em parceria com a direção. É através da iluminação que se torna possível criar um clima dramático e estético, que deve estar de acordo com a proposta do roteiro.

Filipe Ratz, diretor de fotografia deste videoclipe, visitou a locação, observou o espaço e checou os equipamentos de iluminação disponíveis no local. A partir disso, foi possível pensar nos posicionamentos dos refletores; fazer uma lista dos equipamentos e materiais consumíveis extras de que iria precisar; e também, junto com a equipe de direção, pôde traçar os planos e movimentos de câmera que seriam realizados na gravação.

Neste videoclipe, especificamente, por ser inspirado em um programa de auditório da década de 60, a iluminação foi pensada para remeter a essa época. Porém, é importante destacar que a ideia não era reproduzir fielmente um programa de televisão, mas sim, trazer elementos que remetessem a essa referência. Desse modo, os enquadramentos buscavam valorizar os elementos em cena (banda, dançarinas e jurados) e foram realizados com a câmera na mão, para trazer mais movimento e dinâmica para o videoclipe.

Making of por Renato C. Gaiarsa

 

Produção

A produção é o setor responsável por organizar todas as questões e demandas que envolvem a realização do videoclipe. Desse modo, a equipe de produção deve se atentar, principalmente, às necessidades da equipe técnica (direção, direção de fotografia, direção de arte, elenco) e do seu próprio setor, para que não falte nada e a gravação ocorra da melhor forma possível.

No caso do videoclipe da Falsos Modernos, a primeira etapa foi a preparação, que envolvia o fechamento da equipe técnica; encontro com a banda; elaboração do roteiro; elaboração de projeto resumido para solicitação de apoios e parcerias; pesquisa de locação nos teatros e auditórios da cidade; organização da visita técnica no Teatro do Movimento, elaboração do orçamento final.

Feito isso, foi possível realizar um check list com demandas que deveriam ser cumpridas antes da gravação, ou seja, durante a pré-produção. Foram elas: formalização da pauta do Teatro do Movimento, para que ele fosse utilizado somente por nós durante o tempo necessário para as gravações; contratação de van para transportar equipe e elenco; organização do mapa de transporte com os horários que o carro iria passar para buscar cada pessoa; solicitação e fechamento de apoio do Restaurante Maria Bonita, que ficava próximo à locação; compra de água e lanche (também chamado de manutenção) para equipe e elenco; aluguel de equipamentos e compra de consumíveis solicitados pelo diretor de fotografia (gelatinas, bandeiras, refletores, etc.); aluguel e compra de objetos de cena, junto com a equipe de direção de arte; entre outros.

No dia anterior à filmagem, conseguimos utilizar o espaço para montagem de parte do cenário e da iluminação, para que otimizássemos o tempo disponível para gravação no dia seguinte – o que foi muito importante nesse clipe mas nem sempre é possível, a depender da disponibilidade do local. No dia 12 de abril, data da filmagem (produção), a equipe e o elenco chegaram no local por volta das 7h para iniciar os trabalhos. A produção organizou o set de filmagem e a sala de apoio para a equipe e o elenco; direção de arte e  direção de fotografia fizeram os ajustes finais na locação; a direção repassou todos os planos que haviam pensado; e a troca de figurinos e maquiagem foram realizadas no camarim. Com tudo pronto, iniciamos a gravação por volta das 11h, tivemos uma pausa de 1h para o almoço das 13h às 14h, e finalizamos o dia de filmagem por volta das 17h.

Terminadas as gravações, chegou o momento de organizar a pós-produção: desmontagem do cenário e devolução dos objetos de cena emprestados e/ou alugados; envio do material gravado para o editor iniciar o trabalho de montagem e edição do videoclipe; e pagamento dos equipamentos, transporte e demais serviços utilizados para a realização do videoclipe.

Making of por Renato C. Gaiarsa

 

Edição e Montagem

Para editar um clipe preciso ouvir a música várias vezes, porque às vezes me concentro, por exemplo, no som do baixo, e isso me captura tanto que acabo não assimilando outros elementos. Lá para a sétima vez em que escuto a música por completo começo a perceber o conjunto e isso muda tudo no ritmo do clipe. Por isso, devo estar bem afinado com a música para começar a montagem final.

No caso do clipe da música “Balada sem lei” da banda Falsos Modernos, recebi mais de 40 takes do material filmado. Fiz um primeiro trabalho de seleção eliminando aquilo que eu achava que não deveria entrar na montagem final. Depois de ter um primeiro corte, enviei para os diretores, que sugeriram poucas mudanças que acabei aplicando.

Texto por Dario Vetere, editor e montador.

Ficha Técnica

Equipe técnica:

Produção executiva e coordenação de produção: Flávia Santana

Direção de produção: Tais Bichara

Direção, Assistência de Direção e Roteiro: Pedro Perazzo e Rodrigo Luna

Direção de Fotografia: Filipe Ratz

Assistente de fotografia: Heygo Freire

Direção de arte e Produção de Figurino: Renata Soutomaior

1º Assistente de direção de arte: Juan Rodrigues

2º Assistente de direção de arte: Kid

Maquiagem e Cabelos: Nayara Homem

Edição: Dario Vetere

Making of: Renato Gaiarsa

Motorista: Jorge Martins

 

Dançarinas:

Aretha Lima

Erica Andrade

Daniela Alcântara

 

Jurados:

Rodrigo Luna (Capitão Cometo)

Irmão Carlos

Paula Lice (Jessy Cristopherry)

 

Falsos Modernos é:

Boni – Vocais e guitarra
Bruno Carvalho – Guitarra e vocais
Dudare – Baixo
Leo Abreu – Bateria

 

Agradecimentos:

Aretha Lima, Erica Andrade, Daniela Alcântara, Irmão Carlos, Paula Lice, David Iannitelli, Jacqueline, Cíntia Sadoyama, Nícolas Fernandes, Felipe Dieder, Rejane Dieder, Carol Barreto, Renato Gaiarsa, Antônio Santana, Jeronimo Soffer, Agnes Cajaiba, Luna, Zi e Felini.

 

Apoio:

Faculdade de Dança da UFBA, RLOBO, Locmais, Restaurante Maria Bonita, Carol Barreto